A cidade de Rio Claro acaba de ganhar mais uma banda punk que, juntamente com o Garrafa Vazia, pretende fortalecer os laços punk da região e integrar o rock-cachaça-direto-da-roça. Jorjão & The Fat Moringas reúne o que de mais importante existe na cena independente do interior paulista: boas músicas e atitude rock and roll.
A pegada da roça parece mesmo estar fazendo a cabeça das novas bandas da região e o som vem temperado com uma mistura de rock e convulsão. Jorjão, vocalista e um dos compositores do grupo promissor, é devoto de Raul Seixas e Pink Floyd, contudo também tem entre os seus preferidos os discos de protesto dos Replicantes e as canções escrachadas dos Velhas Virgens.
A guitarra fica por conta de Hebert que carrega influências que vão desde o pós punk das Mercenárias à podridão do Olho Seco passando pelo heroísmo dos primeiros tempos do Cólera até chegar a Nick Cave e Adelino Nascimento. Os rifs de Hebert parecem traduzir o que de mais puro e sincero existe na cena cachaça e tem feito a cabeça dos amigos que acompanham os ensaios da banda.
Mário Mariones, idealizador da cena cachaça e fundador da banda Garrafa Vazia, precursora na retomada da cena punk na cidade, assina as linhas de baixo e é um dos Moringas. Sua formação e influências musicais passeiam por Tom Waits, Johnny Cash, Muddy Waters, Social Distortion a Garotos Podres. Além de músico, Mariones é escritor e em breve lança o livro ‘Promessas Horríveis’, com apoio do Grupo Auê e assina uma coluna semanal de crônicas cotidianas para o JCL há quase um ano.
Para completar o quarteto, Vadio assume as baquetas e no ritmo ‘one-two-three-four’ mantém bem situado o compasso agressivo das canções punk produzidas pela banda. Suas principais influências são os nova-iorquinos do Sick of it All e o quinteto da Califórnia Suicidal Tendencies.
A banda nasceu a partir de encontros encachaçados e bizarros que aconteciam em bancos de praças regadas a longas conversas ao som de violões. Ao cair da tarde nos arredores do Lago Azul ou na Floresta Estadual, animadas jams acústicas formavam ainda sem saber o embrião do que viria ser a proposta da banda.
Jorjão é o caudilho do projeto e com sua verve de compositor direto, sua loucura trovadoresca atual e provocadora, é o motor explosivo que leva o conjunto a uma catarse de sons imaginários e contundentes, agressivo e lírico, engraçado e paranóico com letras às vezes intimistas, outras de cunho comportamental, contudo sempre perigosas.
Apesar de sua facilidade para a composição, Jorjão divide a autoria das músicas com os outros integrantes que também compõem. A liberdade artística é uma máxima dentro da banda e devido a esse motivo é possível observar misturas bastante ecléticas que passeiam por influências que vão de Tim Maia, James Brown e Chuck Berry à crueza do blues de Bukka White formando o que mais novo há na região: Jorjão & The Fat Moringas.
O grupo está ansioso com as composições e prepara para breve o primeiro disco no qual vão estar inclusos clássicos que já são entoados em rodas informais e amigos dos integrantes. ‘Maria Joana’, ‘Juca Garoto’, ‘William e Keith’, ‘Eu sei’, ‘Punk Floyd’, ‘Tá tudo errado’ e ‘Meu vizinho’ vão constar no track list. A banda segue ainda em fase de construção de uma ópera punk que vai falar sobre o charme de se viver e morrer a cada dia na imensidão roça.
Jorjão & The Fat Moringas é uma banda rio-clarense que reforça a cena underground da região e, ao lado do Garrafa Vazia, são o que de mais novo que existe na música, com pegadas que contemplam o faça-você-mesmo do punk-rock-cachaça-direto-da-roça. A banda estreia dia 25 em Goiânia, no lendário Birita Rock e Atitude, festival que este ano completa onze anos de existência e sucesso.